Trip Report

Uma tarde no incrível Parque de Atracciones de Madrid – TRIP REPORT

Ah, viajar! Nada melhor do que quebrar a rotina de correria do trabalho ou dos estudos. E tenho certeza que você, amante de parques, sempre verifica as opções de parques na região que pretende visitar!

Às vezes, porém, nem tudo sai como planejado, ou você é apenas um convidado da viagem. E então dá-lhe lábia para convencer os outros a encaixar um parque na programação! Hahahaha…

Quando meu irmão me informou que iríamos viajar em família (eu, ele e meus pais) para Madrid, fiquei empolgado com a ideia e, claro, corri pro Google para ver as opções de parques que eu tinha à disposição. A primeira – e óbvia opção era o Parque Warner. E reservei um dos dias para que eu – acompanhado ou não – fosse ao parque. Mas na minha busca ‘descobri’ também o Parque de Atracciones de Madrid (não me julguem; eu nunca tinha ouvido falar dele antes). Achei o nome bem original (#sqn #faltoucriatividade #nomepreguiçoso) mas o mix de rides me chamou a atenção.

Quando vi a Abismo, me toquei de que eu já tinha visto um vídeo on-ride dela, e tinha ficado louco por ela. Só não tinha associado ela ao parque! E entrei num dilema: visitar os dois parques em detrimento de outra programação na cidade? Ou escolher apenas um dos dois?

Chegando próximo à viagem, não precisei mais me preocupar com meu dilema. Uma (não tão) simples distração minha tornou o Parque de Atracciones minha única opção: o Parque Warner estava fechado no Inverno. Partiu Parque de Atracciones de Madrid, então!

Programei para ir no dia 26 de fevereiro, um domingo. O parque abriria 12:00 e fecharia às 19:00. Visto que eu estava viajando em família, combinamos de na parte da manhã ir a um lugar de preferência do meu irmão (um tour pelo Estádio Santiago Bernabéu, do Real Madrid – um passeio incrível também, até pra mim que não curto futebol) e à tarde, ao parque.

Após visitar o estádio, pegamos a linha 10 do metrô (como eu amo as cidades europeias… você consegue ir pra todo canto rapidamente sem gastar muito com o transporte público) e nem precisamos fazer baldeação. A Estação Batán desta linha é literalmente em frente ao parque.

Chegamos ao parque por volta das 14h (infelizmente não conseguimos chegar antes). O dia estava lindo, apesar do frio (que tanto amo), mas sem nenhuma nuvem no céu. Que entrada simpática! Sem muito alarde, mas muito bem decorada com plantas e árvores, remetendo aos antigos parques. Logo no hall de entrada, um rapaz nos abordou oferecendo um cupom de desconto, em que compraríamos 2 ingressos pelo preço de 1. Desconfiado como todo brasileiro, fiquei com receio de perder dinheiro. E sem que precisássemos argumentar, o cara ofereceu que primeiro fôssemos ao guichê comprar os ingressos e que se desse certo, pagássemos um valor pra ele. Ah, Europa… como eu te amo! Todos confiam em todo mundo. Fizemos isso e de fato o cupom (do Mc Donald’s) nos permitiu pegar não apenas 2, mas sim 4 ingressos pagando apenas 2. Voltamos ao simpático cidadão e pagamos, e fomos entrar ao parque.

Logo à nossa esquerda, a Nickelodeon Land, bem colorida e com atrações infantis. Como eu tinha pouco tempo, quis priorizar nos rides principais. Antes, porém, quis fazer um tour pelo parque – um ritual meu quando chego num parque que ainda não conheço. Ando dando uma visão geral, calculando as distâncias entre os rides para depois decidir qual ir primeiro.

Descendo por uma via à esquerda, alguns rides da área infantil ainda estão sendo tematizados com personagens do Bob Esponja. Logo depois, eis uma entrada imponente, tematizada como algo medieval, que dá acesso a dois rides: El Tren de la Mina e um primo do extinto Waimea, que estava fechado (todos os rides aquáticos estavam fechados, pois ninguém quer se molhar com o tempo a 10º C). A fila porém estava relativamente grande, e quis então continuar o tour e deixar pra ir depois nesta MR.

Ao longe, a linda, maravilhosa, toda-toda, tchutchuquinha Abismo chama a atenção. Ela é um modelo único no mundo, e posso dizer que, de fato, ela é única, soberana. Até meu pai quando a viu falou que queria ir naquela belezura. Na minha família temos 4 níveis de empolgação com rides e montanhas-russas: Eu, que quanto mais louco, mais alto, mais intenso o ride, melhor; meu irmão, que não tem medo de nada mas vai em alguns apenas por ir; meu pai, que alterna da empolgação total ao receio inexplicável de alguns rides; minha mãe, que não se empolga com os mais radicais, mas se o ride não a deixa com os pés pendurados e não é tão intenso, ela topa.

Pensando num ride que agradaria a todos, lembrei que tinha visto no site a Tarântula. Uma Spinning Coaster, com curvas em 90º de inclinação e com altura interessante (25,5m). Falei a todos que queria leva-los a um ride que todo mundo gostaria. Porém… ao longe vi que ela não estava funcionando. Decepção bateu forte, pois tirando a Vurang no Hopi Hari, eu nunca tinha ido em uma Spining, ainda mais com aquelas curvas insanas. Minha mãe disse então para irmos na (imagine uma voz dramática e intensa) ABISMO (fim da voz dramática e intensa) enquanto ela nos esperaria. Fomos os 3.

O que dizer da Abismo? Bem, sabe aquele tipo de ride que não importa quão experiente você seja com a adrenalina e emoções extremas, ainda assim te faz repensar e analisar o porquê você está naquela bendita fila? Pois é. Não amarelei, mas como a fila fica basicamente embaixo dela, a cada ciclo eu imaginava a emoção que seria ir ali. E o cérebro começa a pensar “Cara, a trava de segurança é só no colo. E se você escorregar?” ou “Como assim não tem trava de ombro? Mano, e fica de ponta-cabeça bem devagar…”. Mas então o lado “Amo Adrenalina” é mais forte e começa a pensar “Cara, imagina o frio na barriga que delícia!” e também “Olha a velocidade disso! Reparou nos Airtimes? Que incrível!”

Ainda na fila, eu tive a certeza que de que, por algum motivo, a Abismo entraria no meu Top Five de montanhas-russas preferidas. E foi chegando a nossa vez. Depois de 45 minutos (um tempo completamente aceitável para um ride de 12 pessoas por ciclo, em um domingo, final de férias) chegou a nossa vez.

Cara, aquela trava… Sério. Aquela trava. O que dizer? Um arco que está aberto do seu lado e você puxa até encontrar seu corpo. E só. Ombros livres. Pernas livres. E vamos que vamos. E começa a subida de 90º subindo com velocidade razoável. Nos poucos segundos que você fica de ponta-cabeça antes de descer, você se imagina sendo a primeira pessoa a escorregar dali e estampar os noticiários do dia seguinte. Mas não. Tudo é perfeitamente seguro.

E aí vem a emoção. Braços ao ar e a descida vem com tudo, criando aquela sensação maravilhosa pela qual somos tão apaixonados. As curvas e o Airtime são a cereja do bolo. Até ela passar pela estação novamente e subir 90º de novo, mas só pra então voltar lentamente de costas. Saí de lá extasiado! E se você está se perguntando, sim, entrou para o meu Top Five de melhores montanhas-russas que já fui.

Saímos então e fomos encontrar minha mãe que estava à nossa espera. Vimos que o Top Spin estava literalmente vazio, sem fila, e com algumas pessoas já sentadas esperando pra começar o ciclo. Por que não ir? Aproveitamos e entramos pra curtir aquelas viradas de cabeça empolgantes. O ciclo é diferente (e menos intenso, porém mais longo) do que o Ekatomb, no Hopi Hari.

Em frente ao Top Spin estava “La Lanzadera”, nome da torre de queda livre do parque, de 63m. Como a fila estava considerável por estarem usando apenas uma gôndola, e como um ride desse não é difícil de encontrar nos outros parques, e apesar de eu amar a sensação de queda, preferimos utilizar o pouco tempo que tínhamos nos outros rides e não experimentei este.

Ao lado do Top Spin está “La Maquina”, que tem uma pintura que remete a algo enferrujado. Isso por si só é assustador, mas quanto ao ride em si não posso opinar (citando Glória Pires), pois o ride estava em manutenção e não abriu o dia todo.

Não me julguem, mas eu nunca tinha ido em um Disko. Então eu precisava sentir a sensação. Fomos então a este querido e tranquilo ride, que tem o simpático nome de Tifón. A despeito do que possa parecer, por rodar demais, os movimentos rotatórios e ondulares se anulam, dando uma gostosa sensação que não causa náuseas. Mesmo com um ciclo prologado, a capacidade de pessoas por ciclo é alta. Me pergunto porque outros parques com alta lotação (alô alô BCW) não investem mais nestes Flat Rides que atraem muitas pessoas, não ocupam muito espaço e tem alta rotatividade de visitantes.

Saindo do Tifón tiramos mais algumas fotos do parque (que realmente é muito, muito bonito). Me chamou atenção grandes áreas de piquenique, e fiquei sabendo que o parque permite que você entre com alimentos e faça o seu ali. Mais um ponto para este parque!

Logo depois fomos ao Tornado, uma Intamin invertida. Ela é boa? É. É bonita? Não. A paisagem sim, mas o exagero de suportes nos looping deixa ela visualmente carregada. Tem algo especial? Bem, ela é suave. Não me marcou, não me tocou, mas não sacoleja quase nada. É agradável. Vale uma ida, mas eu esperava mais.

Enquanto estávamos na fila do Abismo (deixei pra falar agora propositalmente), a Tarántula voltou a funcionar! YES!! E deu pra ver que ela é bem querida do público em geral. Arrasta multidões. Depois do Tornado, fomos então em direção a ela, e esta eu sabia que iria agradar a todos os 4. Chegando em frente a fila parecia grande, pois estava com quase todo o labirinto preenchido. Porém, quem sempre vai em parques sabe que algumas coisas enganam à primeira vista. Fiz questão de ir pela saída pra ir ver o restante da fila (pois a estação de embarque fica abaixo do nível da entrada, dificultando ver até onde a fila ia) e percebi que depois de poucos labirintos, a fila seguia uma linha reta descendente (sem piadinhas
de academia, por favor). Ficamos por volta de 30min na fila.
Ah, a Tarántula… Confortável o assento, boa posição pra curtir o passeio. No topo do lift, a vista dos arredores é incrível. Mas não dá muito tempo pra curtir, porque além de o lift ser rápido, a primeira queda já te deixa sem direção. Rapaz, esqueça o que você sabe sobre Spinning Coasters (principalmente se sua única referência é a Vurang – vulgo “montanha-russa do escuro” para leigos – do Hopi Hari). Ficou claro porque ela é tão querida. As curvas são de tirar o fôlego, e justamente por ser uma Spinning, a inércia e gravidade permitem que o giro do carrinho absorva as curvas mais impactantes. Dá frio na barriga? Dá. Parece que o carrinho vai descarrilhar e este será o último ride da sua vida? Parece. Mas é isso que faz uma montanha-russa ser boa, não é mesmo? O trajeto me surpreendeu, achei longo o bastante pra curtir, mas não longo o bastante pra enjoar e querer sair. Há curvas e quedas “escondidas” que eu não tinha visto na minha análise visual prévia, o que me deu uma grata e gostosa surpresa. Recomendo, é o tipo de ride que não se pode deixar de ir.

Depois disso fomos no Simulador (não era minha primeira opção, mas estava sem fila e quis pegar mais leve com a família). Apesar de datado (não havia qualquer decoração na entrada ou na sala de espera ou na sala) e os movimentos estarem uma fração de segundos adiantados, o filme (que conta uma divertida história de um pincel maluco que ‘ajudou’ o Da Vinci a pintar a Monalisa) é uma grata surpresa. Bem divertido e com boa dose de aventura, se tivesse mais esmero nos movimentos e se a proposta de 4D fosse aplicada (o filme tem momentos óbvios preparados para uma sala 4D, com esguichos e afins), seria uma divertida e interessante experiência. Infelizmente nem o 3D estava funcionando; rodaram o filme em 2D e nem tínhamos óculos. Na sala certa, seria um ride memorável.

A partir daí, meus pais quiseram ir passear no Zeppelin, simpáticos “balões” que seguem um trajeto pendurados pelo parque, dando uma gostosa e tranquila vista e panorama geral. Enquanto isso, eu e meu irmão fomos na Star Flyer. Já falaremos dela.

Antes, quero chamar atenção pra uma coisa que me parece que vai ser fantástica no parque: uma atração do The Walking Dead. Vai abrir em março, mas a
tematização parece bem imersiva, como podem ver nas
fotos. Uma pena que por questão de algumas semanas não consegui ir nesta atração.

Voltando ao Star Flyer. Uma linda torre de 80m de altura, com 28 cadeiras penduradas por correntes. Entramos no ride por volta das 18h10, e 5 minutos depois um funcionário fechou a fila colocando uma placa de encerramento de atividade. Guarde este ponto, no próximo parágrafo vou falar minha opinião sobre isso. O ride é muuuuito gostoso e suave. Ele chega até o topo, desce um pouco, sobe de novo, desce, sobe, desce empina e reb… não, pera. Enfim, o ride oscila bastante a altura pra dar pequenos e quase imperceptíveis frios na barriga. Uma dica: quando for a este ride, evite ir no final de um dia do inverno europeu. A temperatura estava perto dos 10º. Junte isso ao vento de 80m de altura, e do movimento do ride. Pronto, me senti em uma câmara frigorífica. Apesar disso, o ride em si é muito bom.

Faltava apenas um ride para ir (dos que eu realmente fazia questão), que era El Trem de La Mina, que não fomos no começo por estar com muita fila. Ainda eram 18h35, mas meu irmão me lembrou da placa que colocaram no Star Flyer, então provavelmente o mesmo deveria ter acontecido com ele. Insisti, e fomos até lá conferir. De fato, o ride estava com a fila fechada. Eis aqui minha opinião: isso é algo que me incomoda desde os tempos do Playcenter. Eu acho um desrespeito fechar as filas das atrações sendo que o horário do parque ainda não se encerrou. Eu sei que os funcionários têm que ir pras suas casas, e que blá-blá-blá. Mas se eu paguei um ingresso de um parque, quero aproveitar até o último minuto. Quem abre um parque tem que entender que é um negócio com suas particularidades, e que tais situações devem ser previstas. Uma das coisas que mais amei no Hopi Hari na época de sua inauguração é que as filas fechavam apenas no horário de fechamento do parque. Se o horário era 19h, até 18h59 você conseguia entrar em alguma fila. E assim que penso que tem que ser. É a mesma coisa que um restaurante dizer que está aberto até às 22h, e você chegar 21h15 pra comer e o garçom te falar “Perdão, mas não poderemos te atender porque a casa está cheia e se fizermos seu prato agora, vamos ter que fechar mais tarde”. Seria um absurdo. É minha única reclamação do parque. #prontodesabafei.
Dito isso… Sou brasileiro e não desisto nunca. Fui até a saída da montanha-russa, onde também entravam as pessoas com pulseiras VIP, e fui tentar barganhar (Doutor Estranho fazendo escola) uma volta. Assim que o trem partiu da estação, chamei a funcionária, e de modo simpático e sorridente expliquei (arranhando um espanhol) que eu era brasileiro, que tinha vindo de tão longe e que meu sonho (sim, sou dramático) era ir naquela montanha-russa. Ela falou que a fila estava fechada, e eu com aquela cara de Gato de Botas do Shrek perguntei se não tinha como mesmo. Ela bem simpática falou que eu podia ficar por perto, e se (e somente SE) tivesse lugar sobrando na última volta, eu poderia ir. Mas se o trem estivesse cheio, não teria como fazer nada. Eu agradeci imensamente e fiquei esperando.

E, meus caros, a espera valeu! Sobraram apenas 2 lugares. Pra mim e meu irmão. O que achei muito legal é que ela (a funcionária) me viu e me chamou; ela não tinha obrigação nenhuma daquilo, mas gostei demais da atitude dela. Outras pessoas que tentaram não conseguiram, e vi ela falando com o operador pra deixar eu e meu irmão ir porque eu tinha avisado ela antes. Aquilo fechou meu dia com chave de ouro!

A montanha-russa em si foi muito divertida. Bastante curvas em uma tematização de mina abandonada. Foi uma cerejinha no fantástico bolo que foi meu dia.

Ao sair do parque, o óbvio: a vantagem de ter uma estação de metrô literalmente em frente o parque é também um teste de paciência: ficamos pelo menos 30min tentando ENTRAR na estação. Mas nada que tenha tirado o brilho do dia.

Portanto, meus caros. Se você for a Madrid, não deixe de visitar o Parque de Atracciones; nem que seja por apenas uma tarde como eu fiz. Vale muito a pena. É nostálgico, tem um ótimo mix de rides, é agradável, bonito e com certeza um passeio completo. O Abismo por si só vale o passeio. Este é um parque que prova que não são necessários altos investimentos de marketing ou licenciamentos pra ser um bom parque. Com certeza quero voltar em breve.

Espero que tenham gostado, e até a próxima!

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